dique s4

Dique S4, janeiro de 2017

Barragens

A Samarco mantinha, até 5 de novembro de 2015, duas barragens para estocagem dos rejeitos resultantes do processo de extração e beneficiamento do minério de ferro em sua unidade de Germano (MG). A mais nova delas era a de Fundão, inaugurada em 2008, com estocagem de 55 milhões de metros cúbicos.

As barragens foram construídas em linha com a Política Nacional de Segurança de Barragens (Lei 12.334/2010), com inspeções de segurança próprias e equipes de operação em turno de 24 horas, para manutenção e monitoramento. As licenças de operação eram regularmente concedidas pela Superintendência Regional de Regularização Ambiental (SUPRAM) – a última inspeção antes do rompimento foi realizada em julho de 2015. Em setembro do mesmo ano, laudos foram entregues para os órgãos competentes, indicando condição operacional segura para as barragens.

Lamentavelmente, mesmo com os procedimentos de gestão de riscos associados às barragens, essas medidas não foram capazes de antever o rompimento.

Mediante o rompimento da barragem, a Samarco executou o seu Plano de Ação Emergencial de Barragens de Mineração da Samarco, apresentado ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), e o processo produtivo de Germano foi imediatamente interrompido.

Houve dois embargos em Germano: um do DNPM, sobre as operações das barragens e das Unidades de Tratamento de Minério (UTM), e outro da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) junto com a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), sobre as operações como um todo, salvo para as atividades consideradas emergenciais (como obras de reforço estrutural). Na unidade de Ubu, em Anchieta (ES), não houve embargo em decorrência do rompimento.

Entenda quais são e como funcionam as estruturas de uma barragem:

 

infografico

  1. Dique principal ou barramento: estrutura construída por taludes com a função de conter rejeitos.
  2. Crista: local onde se inicia a disposição do rejeito arenoso e ponto mais alto da barragem.
  3. Reservatório de rejeito arenoso: local onde ocorre a disposição de rejeito arenoso gerado no processo de beneficiamento.
  4. Reservatório de rejeito fino (lama): local onde ocorre a disposição de rejeito fino gerado no processo de beneficiamento.
  5. Diques auxiliares: estruturas que servem para delimitar as áreas de disposição de rejeito e permitir um manejo adequado.
  6. Ombreira: terreno natural onde a barragem se encaixa.
  7. Vertedouro: estrutura que permite a saída de água do reservatório.*
  8. Drenagem interna: estrutura que permite que a água seja drenada pelo sistema de drenos internos.*

*A água que sai do sistema de drenagem interna e a água do vertedouro são levadas para o curso natural do córrego, no fundo dos vales, onde podem ou não ser captadas e reutilizadas no processo de beneficiamento do minério de ferro. No caso da Samarco, as águas são tratadas, sendo uma parte reutilizada no processo produtivo e o restante retornado ao meio ambiente.

 

No processo de beneficiamento do minério de ferro, o material extraído durante a atividade mineradora é separado: o minério segue para a produção das pelotas e a mistura de água, partículas de óxidos de ferro e sílica ou quartzo – chamada de rejeito – é descartada.

À medida que o rejeito é depositado, a parte sólida se acomoda no fundo da barragem e a água decanta. A água então é drenada e tratada, com parte sendo reutilizada no processo de mineração e o restante devolvido ao ambiente.

A composição do rejeito não contamina a água e não representa risco para a saúde humana. Entenda qual a composição do rejeito neste vídeo:

 

 

 

Sistema de contenção de rejeito e segurança

 

Buscando atender às diretrizes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros e visando à redução de riscos, a Empresa adotou medidas adicionais e iniciou obras nas barragens para garantir a segurança das estruturas remanescentes e conter o fluxo de rejeitos. Confira o estágio das iniciativas em cada estrutura:

Dique de Selinha: obras de reforço estrutural foram concluídas em dezembro de 2015. Em seguida, foram conduzidas obras de drenagem superficial da área, para evitar a ocorrência de erosões.
Sela e Tulipa: obras divididas em três fases; as fases 1 e 2 de reforço estrutural foram concluídas em setembro e novembro de 2016 e a fase 3, de enchimento e nivelamento, com rejeito arenoso, da área próxima desses diques foi concluída em fevereiro de 2017.
Barragem de Germano: obras de reforço do pé de Germano foram concluídas em junho de 2016. Em dezembro do mesmo ano, foram concluídas melhorias na drenagem da estrutura.
Barreiras de contenção de rejeitos remanescentes (seção 1, 2 e 3) foram concluídas em 2016. A seção 4 foi concluída no início de 2017.
Diques S1 e S2: as barreiras ficam logo abaixo da barragem de Santarém e foram concluídas e assoreadas. As estruturas são responsáveis pela contenção de sedimentos existentes na área de Fundão e Santarém.
Diques S3 e S4: Os diques S3 e S4, com a nova barragem de Santarém e os diques S1 e S2, compõe o sistema de contenção de rejeitos remanescentes do Vale do Fundão e melhora a qualidade da água do córrego de Santarém.
Nova Santarém: as primeiras intervenções no local, concluídas em fevereiro de 2016, foram obras para reforço da antiga barragem. As adequações garantiram maior fator de segurança da estrutura. Na sequência, foi iniciada a primeira fase de construção da nova Barragem de Santarém, finalizada em dezembro de 2016. Este é um dos mais importantes marcos na meta da Samarco de contenção do rejeito remanescente do Vale do Fundão. Nesta etapa, o reservatório tem capacidade de retenção superior a 5 milhões de m3. Na segunda e última etapa, executadas entre março e junho de 2017, a capacidade do reservatório foi elevada para 7 milhões de m3.

O sistema de contenção de sedimentos implantado pela Samarco em Mariana (MG) trouxe resultados considerados positivos. Já no começo de 2017, o monitoramento da água na área indica redução significativa dos níveis de turbidez. Desde meados de janeiro, os índices de turbidez da água logo abaixo do dique S4 estão inferiores ao limite de 100 NTUs (sigla em inglês para Unidade de Turbidez Nefelométrica – UNT), estabelecido pela resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). No caso do dique S4, por exemplo, a turbidez média da água caiu para 25,7 NTUs no último dia 15 de fevereiro. O dique S4 tem o objetivo de evitar, tanto quanto possível, carreamento de sólidos da área de Bento Rodrigues para o Rio Gualaxo.

Entenda sobre as estruturas no vídeo abaixo:

 

 

 

Monitoramento e segurança

 

Para certificar que as estruturas das barragens permanecem estáveis, a Samarco conta com diversas formas de monitoramento, como o uso de equipamentos para medir a pressão e o nível da água, a utilização de radares especializados, a realização de inspeções no local e a distância (na sala de monitoramento) e a execução de obras de reforços e pequenas intervenções emergenciais nas estruturas.

Desde o rompimento da barragem, o processo de monitoramento das estruturas foi reforçado, contando com ações como:

– Monitoramento 24 horas: drones, inspeções em campo, medidores do nível de água e pressão são os equipamentos que auxiliam a equipe especializada no monitoramento das estruturas.

– Bombas para remoção de água: cinco bombas instaladas para direcionar a água da chuva até o tratamento na Usina de Germano.

– Tratamento de água: a água da barragem de Santarém está sendo tratada para que os sedimentos permaneçam no fundo da estrutura e não sigam o curso d’água.

SALA DE MONITORAMENTO

 

 

Plano de emergência

 

Após o rompimento da barragem de Fundão, a Samarco passou a elaborar e dar apoio a ações específicas de treinamento e capacitação da comunidade quanto a situações de emergência. Além disso, fez melhorias nos sistemas de comunicação destas situações e no monitoramento das estruturas. Ao longo de 2016, foram realizadas ações que representam importantes aprendizados para a Empresa.

Com relação à comunicação e à mobilização para situações de anormalidade, as equipes da Samarco auxiliaram a Defesa Civil no fornecimento de informações sobre os cenários de risco, o mapa de inundação e o procedimento de emergência, que contempla o local de instalação das sirenes fixas e a localização dos pontos de encontro.

Sirenes, móveis e fixas, foram instaladas nas barragens de Germano e Santarém e nas comunidades de Bento Rodrigues, Ponte do Gama, Camargos, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Pedras, Campinas, Gesteira e Barra Longa. Também foi reforçado o monitoramento on-line 24 horas, por meio de câmeras, telões, drones e radares, instrumentação de barragens, inspeções de campo e acompanhamento visual das estruturas remanescentes.

Outro eixo de atuação foi a realização de simulados – uma oportunidade para preparar comunidades, órgãos competentes e a própria Samarco para lidar com situações hipotéticas de rompimento da barragem. Foram dois eventos em 2016, um em março e outro em novembro, nos quais a Defesa Civil dos municípios de Mariana e Barra Longa, junto à Defesa Civil de Minas Gerais realizou exercícios de simulado de emergência nas 10 comunidades atingidas em Mariana e Barra Longa, um esforço conjunto com a Samarco, Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e secretarias de Saúde, Educação e Meio Ambiente. Um novo simulado está previsto para ocorrer no segundo semestre de 2017.

O propósito principal dos exercícios simulados é o estímulo ao engajamento comunitário para promover um ambiente de maior tranquilidade, aumentando a capacidade da sociedade de reagir a eventos adversos, tais como um rompimento de barragem, uma enchente ou uma inundação.
A Samarco apoiou na organização e execução destes simulados, comunicando à população local os planos de realização e promovendo reuniões explicativas presenciais, inserções em rádios locais e a utilização de carros de som. Ao todo 742 moradores foram envolvidos em novembro de 2016.

Além da Samarco, participaram da ação representantes de municípios influenciados por empreendimentos de mineração e outras empresas que também possuem barragens, para compartilharem as experiências e os aprendizados dos simulados. Foram realizados dois treinamentos técnicos, no escritório da Herkenhoff & Prates, em Mariana, nos dias 17 e 20 de outubro de 2016. O treinamento foi conduzido pela equipe central da Consultoria e por analistas da Fundação Renova.

Esta é uma importante iniciativa para levar ao conhecimento público, com transparência e praticidade, os procedimentos de emergência aperfeiçoados para áreas atingidas em caso de rompimento hipotético de barragem. As ações representaram, também, um enorme aprendizado para a Empresa – e podem servir para estimular modelos mais seguros de operação para o setor mineral, inclusive no que tange ao marco regulatório quanto à comunicação e gestão de situações emergenciais.

Depois da ação, uma comissão multidisciplinar – formada por diversos órgãos de proteção civil e pela Samarco – começou a avaliar os resultados do treinamento e possíveis oportunidades de melhoria. O sistema de supervisão está configurado para realizar dois auto testes (teste silencioso) a cada 24 horas em todas as sirenes eletrônicas. Em caso de anormalidade é gerado uma mensagem informando sua indisponibilidade.

Moradores no ponto de encontro de Barra Longa sede